Oppo Digital

Oppo Digital vai parar de fabricar reprodutores de mesa

A Oppo Digital, tradicional fabricante de reprodutores de mesa de alta qualidade anuncia a sua saída do mercado nesta linha de produtos, e ainda não se sabe as razões que a fizeram desistir de tudo.

 

Esta notícia pegou todo mundo de surpresa. No início do mês de abril deste ano de 2018 a Oppo Digital, tradicional fabricante chinês de reprodutores de mesa do tipo “high end” para CD, SACD, DVD-Audio, DVD-Video, e mais recentemente Blu-Ray e Blu-Ray 4K, vai parar de fabricar reprodutores de mesa e fones de ouvido.

O anúncio foi feito em uma página separada do site. A empresa afirma que a fabricação estará diminuindo gradativamente, até parar completamente, mas todos os aparelhos atuais continuarão a receber suporte, na medida do necessário.

Nenhum comentário até agora foi feito do porque desta decisão, mas é bastante provável que seja por conta da escalada dos serviços de streaming, como Netflix e Spotify.

Ironicamente, o serviço Spotify vem andando no vermelho já há algum tempo, segundo fontes em sites de movimento financeiro, e muitos analistas acham que o serviço vai desaparecer em relativo curto espaço de tempo. O motivo para esta potencial derrocada é ter que pagar direitos autorais sem compensação do dinheiro arrecadado pelos seus assinantes, sem falar que parte do provimento é oferecido gratuitamente sem alguns dos privilégios oferecidos.

A notícia obviamente traz desconforto para uma parcela significativa de usuários. Bem ou mal, e apesar dos preços elevados, os aparelhos Oppo ganharam uma significativa reputação de equipamentos de alta qualidade, em uma faixa de preço bem menor do que a concorrência.

No início, a empresa ficou conhecida como a que oferecia reprodutores de DVD com capacidade para SACD e DVD-Audio, junto com o desbloqueio de regiões para DVDs de qualquer área. Para tal, foi divulgado por terceiros um código numérico, espalhado pela Internet.

Recentemente, com o início da fabricação de Blu-Ray players a companhia declinou a possibilidade de “liberar” a reprodução de DVDs de outras regiões que não fossem as da origem do aparelho, e aí surgiram várias empresas vendendo kits para desbloqueio tanto de DVDs quanto de Blu-Rays.

Mas, em se tratando de desbloqueio de DVDs somente, basta rodar o que se chamou de “super_disc”, que ninguém sabe de onde veio. Um arquivo ISO pode ser baixado, e com ele se queima um CD-R/RW. Insere-se o disco no player, dois segundos depois o disco é ejetado automaticamente e o aparelho está desbloqueado. Muita gente ficou surpresa quando notou que o desbloqueio funciona até nos modelos 4K (203 e 205).

Reprodutores com recursos

O forte dos aparelhos Oppo é a sua capacidade de reprodução de material do chamado “áudio de alta resolução”. Embora a expressão tenha sido contestada por especialistas, em função de motivos meramente técnicos, o fato é que a classificação deste tipo de material é sobre aquela especificação que ultrapassa a do áudio em CD convencional. Ou seja, áudio PCM acima de 16 bits e 44.1 kHz de amostragem.

 

 

Os discos SACD, embora em formato DSD, também estariam incluídos nesta categoria.

Sem querer entrar nesta polêmica, eu entendo que circuitos decodificadores modernos por si só são suficientes para garantir uma reprodução de alta resolução, inclusive e principalmente de CDs. É possível afirmar isso em função de estágios dotados de microprocessadores capazes de trabalhar em domínio digital o sinal PCM do CD com correção de um monte de características, incluindo algoritmos em ambiente que eleva a resolução de um CD até 32 bits.

No caso específico dos aparelhos Oppo dos respectivos topos das linhas este processador é um Sabre ES9038PRO, usado para a saída multicanal desses aparelhos. Para fazer uso deste chip o usuário faz do player a fonte de sinal para amplificação analógica externa.

Mas, nos modelos mais em conta ainda assim é possível ter áudio de alta resolução, bastando para isso transmitir o sinal de áudio por HDMI, diretamente a um processador DSP externo da preferência do usuário. Abaixo, um exemplo de processador com capacidade de resolução de 32 bits, usado em equipamentos Denon e similares:

 

Tradicionalmente, a Oppo Digital oferece reprodutores aos usuários com diferentes orçamentos, sem comprometer a qualidade dos circuitos usados.

E o fazem também no que tange ao processamento do vídeo. Mais uma vez cabe ao usuário querer investir em um modelo mais caro, com saída de vídeo dedicada, ou usar um processador de vídeo externo, com o player Oppo servindo como transporte dedicado.

Em ambos os casos, áudio e vídeo, a integridade do sinal é garantida através de um transmissor HDMI com alto grau de estabilidade.

Talvez o ponto forte que mais atraiu usuários de reprodutores da linha Oppo seja a determinação da empresa em tornar áudio e vídeo de alta qualidade como prioridades no design dos respectivos circuitos. E se tenta não excluir nada. Por exemplo, a reprodução de um HDCD, cujos discos ainda existem por aí à venda, está prevista internamente, e o sinal decodificado entregue tanto na saída analógica quanto na digital.

Outro aspecto importante é a saída de DSD nativo para decodificação externa. Com ela o usuário pode reproduzir um SACD e se dar ao luxo de manter o sinal íntegro até a saída de amplificação, o chamado “DSD Puro”, ou “DSD Direto”.

As últimas modificações

Os dois últimos modelos, UDP-203 e UDP-205, com acesso à reprodução de discos Blu-Ray 4K HDR, excluíram todos os serviços de streaming dos seus respectivos firmwares. Além disso, o DSP de áudio não mais decodifica HDCD.

O suporte para reprodução de vídeo com Dolby Video HDR foi incluído na atualização de firmware do ano passado.

A abolição de aplicativos de streaming nesses modelos deixou muita gente confusa, e eu até agora não encontrei ninguém que pudesse explicar o motivo. Entretanto, existe uma previsão para a conexão de um dispositivo de armazenamento, através de uma das duas entradas USB 3.0 disponíveis, ou então um media player tipo Apple TV, através de uma conexão auxiliar HDMI 2.0.

Existe também suporte para MQA (Master Quality Authenticated), que é um codec de áudio desenvolvido pela Meridian para preservar a qualidade de material transmitido por streaming ou de outra fonte.

A pisada na bola

O preço atual de um reprodutor Oppo pode até justificar a qualidade dos componentes e do design dos circuitos, mas a concorrência faz algo parecido com a competitividade em custo que a Oppo Digital não conseguiu superar.

A retirada pura e simples de recursos anteriormente disponíveis também não encontra justificativa no preço praticado.

Nós aqui não sabemos na prática se o disco Blu-Ray 4K é um investimento sólido, porque o formato não foi até agora lançado no Brasil.

A retração de consumo de reprodutores de mesa, seja por desinteresse do usuário, seja por conta da expansão dos serviços de streaming, invariavelmente leva os fabricantes a pensar duas vezes.

A retração específica da Oppo Digital, com a sumária retirada dos modelos anteriores, deixa de dar ao consumidor a chance de declinar o Blu-Ray 4K e investir em um player de excelente qualidade, como por exemplo, os modelos BDP-103 e 105.

A ausência de discos 4K no mercado no nosso meio esvazia a intenção do investimento, principalmente em mercados fora da América do Norte ou Europa.

Assim, a saída da Oppo deste segmento de reprodutores de mesa pode tornar evidente o fracasso ou o declínio de uso da mídia 4K, com ou sem HDR disponível.

Para o consumidor dedicado, não deixa de ser um choque, e um receio de que coisas piores ainda estão por acontecer!

Outrolado_

 

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Paulo Roberto Elias é professor e pesquisador em ciências da saúde, Mestre em Ciência (M.Sc.) pelo Departamento de Bioquímica, do Instituto de Química da UFRJ, e Ph.D. em Bioquímica, pela Cardiff University, no Reino Unido.

2 comentários sobre “Oppo Digital vai parar de fabricar reprodutores de mesa

  1. Mestre Paulo é um tremendo prazer e satisfação ter novamente acesso aos seu artigos. Me senti órfão enquanto não descobri para qual site havia mudado.
    Vou ler “aqui” todos os seus artigos anteriores, pois são bem interessantes.
    Quanto aos players da Oppo, sempre achei que são equipamentos fora da minha realidade pelo preço, mas a qualidade !!!
    Mas ainda hoje prevalece aquele velho conceito:
    – Quer qualidade e tecnologia, precisa-se pagar por isso.

    Parabéns e felicidades na nova casa Paulo.

    • Caro Rogério,

      Eu realmente parei de escrever para o Webinsider, e o principal motivo nada tem a haver com o site ou com o tratamento que os novos donos me dispensaram, mas sim porque eu decidi acompanhar o Vicente Tardin, que além de ser meu editor desde 2006, é também um grande amigo. Eu gosto de trabalhar com ele e assim passei meus textos para cá.

      De fato, você tem toda a razão e eu te peço desculpas. Fiquei sem jeito de informar aos antigos leitores que não estava mais escrevendo para o Webinsider, achei que seria falta de ética e de educação.

      Como você, Rogério, eu perdi a companhia de muita gente boa, que me acompanhou por muitos anos. Agora, aqui no Outro Lado o meu trabalho está mudando de feição, saindo da coisa puramente técnica, para abranger outros assuntos. Basta dar uma olhada no que já está no ar e no que ainda vem por aí.

      Quanto aos Oppo eu achei a decisão lamentável. O número de discos em lançamento na América continua alto, e ao contrário do que muita gente afirma, o espaço para mídia rotativa ainda é seguro. Aliás, se streaming fosse tão bom negócio assim, o Spotify não estaria em apuros, ameaçado de fechar.

      Um dos problemas sérios enfrentados pela Oppo é a concorrência de empresas que estão fazendo players mais em conta. A meu ver, a decisão de aumentar mais ainda um player que já era caro foi um passo dado na direção errada. E a ausência de aplicativos mais ainda.

      Bem, fico por aqui e deixo a você um grande abraço, com um muito obrigado pelo apoio.

      P.S.: as coisas por aqui ainda estão um pouco lentas, mas a gente vai levando.

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