Tecnologia, informação, pessoas e afins

A tecnologia é fascinante. Esse é um fato inegável. A cada instante são desenvolvidas novas aplicações e recursos e essa tendência é irreversível, pelo menos no atual perfil da nossa sociedade.

 
17/06/2009 14:25
Por 
Eduardo Massami Kasse
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A tecnologia é fascinante.

Esse é um fato inegável. A cada instante são desenvolvidas novas aplicações e recursos e essa tendência é irreversível, pelo menos no atual perfil da nossa sociedade. As possibilidades de comunicação e interação se expandiram vertiginosamente devido às (r)evoluções tecnológicas, principalmente a internet com suas diversas ferramentas de disseminação de conteúdos. A inteligência e a automatização dos processos estão bem avançadas e disponíveis, na sua maioria, para qualquer usuário.

Não é preciso saber muito sobre os conceitos web para se publicar um blog ou ter um perfil nos sites de relacionamento e comunidades virtuais. Os aplicativos estão cada vez mais intuitivos e requerem bem pouca instrução específica para utilizá-los. Enfim, experimentamos a universalização da informação, obviamente sem entrar no mérito da qualidade, da veracidade e até mesmo da utilidade dessas. Esse discernimento cabe unicamente a nós.

Agora, qual é o propósito de todo esse conteúdo?

Há anos – os mais novos irão pensar em séculos – quando redigíamos uma carta, tínhamos em mente a pessoa, o destinatário. Escrevíamos pensando nos gostos, nas idéias em comum, na pessoalidade. Até mesmo caprichávamos a letra e as meninas borrifavam seus perfumes a fim de agradar o outro. Havia uma identificação e um relacionamento entre as partes. E hoje? Como anda a comunicação?

Como toda generalização é fadada ao erro, vou falar exclusivamente das minhas vivências como estrategista web e também como usuário comum.

Quando vou planejar e criar o conteúdo dos sites dos meus clientes, levanto o máximo de informações possíveis sobre seu público-alvo, muitas vezes me colocando no lugar deles, para poder conhecer suas necessidades e expectativas. Também, procuro conhecer detalhadamente a dinâmica do negócio, as pessoas envolvidas, a estrutura e os objetivos. Todos os dados obtidos se transformam em conhecimento depois dos estudos e análises. E é por meio desse conhecimento que é possível fornecer um conteúdo eficaz, correto e complementar à identidade visual e aos sistemas necessários para o pleno funcionamento do site.

E dessa forma também trabalham os meus parceiros, fornecedores e muitos bons concorrentes – sim, a concorrência é importante e há mercado para todos!

Porém, essa prática não é aplicada e sequer conhecida por diversos “fazedores de sites” espalhados no mercado. Para eles, desenvolver é simplesmente desenhar um layout, colocar as informações nele e publicar. Focam-se nas ferramentas auxiliares ao desenvolvimento e não nos conceitos de códigos e informação. Preocupam-se, quando muito, em como o Google irá indexar as páginas e se elas são corretamente “exibidas” no Internet Explorer e se possível no Firefox.

Não existe qualquer preocupação com o usuário final que não é um robô de busca, mas sim um ser humano que deseja no mínimo um acesso de qualidade.

Um projeto web deve proporcionar uma experiência relevante e enriquecedora ao usuário. A soma de identidade visual, informações, aplicativos, acessibilidade e usabilidade é que torna o site bem aceito. E muitas vezes temos apenas uma única chance de prender a atenção do visitante. Há centenas de concorrentes e ofertas, portanto o tiro deve ser certeiro!

Muito blá, blá, blá e pouca convicção

Para complementar o raciocínio e agora sob a perspectiva de Eduardo, o usuário comum, vejo uma clara dualidade entre os conteúdos da web.

Há o panorama dos sites, autores, pessoas e instituições que se preocupam em lapidar a informação, tomando cuidado em analisar a veracidade e ser o mais ético e profissional possível. E existe o restante. Nunca fiz ou li uma pesquisa a respeito, mas é possível dizer: mais de 80% da informação circulante na web é incorreta, especulativa e de baixa qualidade.

Com as facilidades tecnológicas, todos se tornaram potenciais jornalistas, escritores, fotógrafos, designers e por aí vai. E isso é ótimo para o aumento das interações culturais e democratização do conhecimento. Todavia, infelizmente, temos o problema das más informações. E muitas pessoas não conseguem perceber as diferenças. E isso pode ser muito perigoso, principalmente para os estudantes em formação.

Estamos rodeados de boatos, “achismos”, incoerências e conteúdos propositalmente maliciosos. Por detrás da bandeira do anonimato, os tecnocovardes disparam para todos os lados seus preconceitos, pseudo-preceitos e conjunto de palavras – nesse caso, o contrário de informação – irrelevantes.

E há alguma solução?


Sem dúvidas! E não é complicada, mas requer um pouco de esforço e boa vontade. Para quem cria, basta se colocar no lugar de quem recebe as informações. Para quem apenas recebe, é preciso buscar mais de uma fonte e mesmo orientações de pessoas mais experientes no assunto.

E para aqueles que interagem com os conteúdos, façam valer a força da palavra! Elogiem as boas informações e critiquem os erros, proponham melhorias e alterações. E só assim, poderemos realmente desfrutar dos benefícios da tecnologia e das maravilhas do conhecimento!

Até mais!

Cartão Vermelho: |
Sobre o Autor:

Graduado pela Faculdade de Tecnologia de São Paulo - FATEC-SP em 2003, onde cursou Processamento de Dados.

Trabalha com desenvolvimento, consultoria, administração e estratégias web desde 2002, utilizando os padrões internacionais do W3C e metodologias de acessibilidade e usabilidade.

Ministra palestras nas áreas de Desenvolvimento Web, Marketing on-line e Informação on-line.

Atua como Webmaster em diversos sites corporativos, acadêmicos e pessoais.

Além do trabalho com a informática, é escritor e possui um livro de poesias filosóficas publicado pela Casa do Novo Autor Editora, lançado na 17ª Bienal Internacional do Livro de São Paulo - 2002.

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