Pensam os outros por você?

A propaganda tem poder. Será que o domina? Ou pensa por si mesmo?

 
21/05/2008 05:45
Por 
robson chagas
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A EDUCAÇÃO lhe ensina a pensar. Os propagandistas lhe dizem em que pensar. Os verdadeiros educadores apresentam todos os lados de uma questão e incentivam a discussão franca. Os propagandistas martelam com afinco seu conceito e desencorajam a discussão franca. Muitas vezes, seus verdadeiros motivos ficam ocultos. Manuseiam os fatos, relatam os favoritos e escondem os outros. Distorcem e torcem os fatos, especializam-se em mentiras e meias-verdades. O alvo deles são suas emoções, e não suas faculdades de raciocínio lógico. Muitos se tornam presas fáceis, porque não se exige esforço para sentir, ao passo que refletir é trabalho árduo. E o propagandista se certifica de que sua mensagem pareça sábia, correta e de boa moral, e lhe dê um senso de importância e de pertencer a um grupo, caso a siga. É um dos espertos, não está sozinho, está confortável e seguro — assim dizem.

Os propagandistas sentem pouco respeito pela faculdade de raciocínio das pessoas. Hitler escreveu: “A inteligência das massas é reduzida. Seu esquecimento é enorme. É preciso dizer-lhes a mesma coisa milhares de vezes.” Lenine era mais discriminador. Usava argumentos históricos e científicos para persuadir a minoria educada, mas lemas e meias-verdades para agitar as massas, a quem considerava incapazes de discernir idéias complicadas. A pena pode ser mais poderosa do que a espada, mas, não raro, é usada para preparar o caminho, antes da espada.

Truques dos Propagandista

Os símbolos estimulam as emoções. Palavras tais como mãe, lar, justiça, liberdade — todas têm atrativo especial para o coração. Lemas são atraentes e parecem cheios de sabedoria. Fatos favoráveis são exagerados; os outros são torcidos ou ocultados. A oratória amiúde substitui o argumento sólido, e desvia a atenção das verdades desagradáveis que não podem ser ocultadas. A técnica é: incendeie-se um prédio em certo lugar, enquanto se assalta uma mercearia em outra parte.

A tirania da autoridade, a zombaria, os nomes feios, as difamações, os desdouros, as indiretas pessoais — todas essas táticas são empregadas para assaltar-lhe a mente e tomá-la por um ataque relâmpago. Evidência sólida, raciocínio, lógica? São os inimigos mais mortíferos do propagandista! Por conseguinte, ele tenta desarraigar a razão e estimular a paixão. Ao aumentar a emoção, o bom critério declina; e, sob as bordoadas de palavras que ferem e da retórica implacável, a mente fica submissa. Algumas propagandas são deste tipo inflamatório, mas a maior parte delas, hoje, é mais sutil. Muita gente, hoje em dia, é mais sofisticada e percebe a oratória desenfreada; assim, ao invés, usa-se um método “suave de venda”.

Os comerciais da televisão se especializam nisto. Os produtos são associados a famílias felizes, lindas jovens, rapazes românticos, bebês atraentes, gatinhos e cachorrinhos brincalhões — todas coisas desejáveis, mas que nada têm que ver com os produtos. Os programas de televisão são amiúde propaganda, a favor da nova moral, de alvos materialistas, de satisfações egoístas. Os telejornais dão falsas interpretações. A maioria das comédias de situações e novelas são superficiais.

Mas, até mesmo pessoas instruídas, sofisticadas, tornam-se vítimas de um tipo muito injusto e inverídico de propaganda. Este tipo assume um ar superior de rejeição do ponto de vista do oponente, tratando-o como um tanto patético e realmente indigno de atenção. É o tipo a que muitos evolucionistas recorrem a fim de fugir de perguntas que não podem ser respondidas. Não conseguem provar sua teoria. Assim, recorrem a asserções, e zombam de todos que ousarem questioná-las. E se alguém sugere que a evolução colide com o que está fora do capitalismo, tais sabichões sorriem com indulgência diante das almas simplórias e indicam que elas precisam deste apoio, mas que “as pessoas inteligentes sabem que qualquer outro tipo de pensamento nada mais é que comunismo”. Não provam nenhuma de suas asserções, nem difamações, mas, mediante a tirania da autoridade, pontificam suas opiniões, fazem calar as objeções e intimidam os oponentes. Isso funciona, e gente supostamente inteligente que nada sabe sobre tal teoria crê nela porque “todas as pessoas inteligentes acreditam nela”.

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