Nem todo site acessível é "usável"...

...e vice-versa. Apesar de muitos profissionais web associarem acessibilidade e usabilidade, estes conceitos têm diversos pontos em comum mas não são a mesma coisa.

 
12/01/2008 19:31
Por 
Talita Pagani
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Ao realizar o primeiro acesso a um serviço de internet banking de um determinado banco, o site apontava claramente no topo que era acessível a deficientes visuais.

Hoje eu já me acostumei com a interface, mas no primeiro dia em que acessei não consegui encontrar o local onde deveria entrar com os dados para acessar minha conta. Depois, o teclado virtual encontra-se no contraste mínimo e quase não conseguia ver os números.

Por fim, não entendi o que deveria ser preenchido em um campo e não encontrei a informação no tópico de "Ajuda". O que eu fiz? Desisti.

Voltei no dia seguinte e só então consegui acessar o sistema. O campo que eu não sabia como preencher tinha uma sumária explicação no tópico de "Ajuda", mas não estava destacado e nem tampouco separado de outras informações. A acessibilidade pode ter falhado em alguns pontos, mas a usabilidade mais ainda.

Mas, afinal, o que é um site acessível e o que é um site "usável"?

Um site é acessível quando permite que pessoas acessem o conteúdo por outros métodos que não sejam o mouse; quando possui um bom contraste entre fundo e texto; utiliza fontes de tamanho razoável; utiliza o mínimo de imagens possível e, quando as utiliza, insere um texto alternativo; utiliza o mínimo de scripts em eventos intrínsecos que só podem ser acessados com o mouse (onclick, onmouseover, etc); provê teclas de acessos para determinados links, dentre muitos outros fatores.

Em suma, é fazer com que um site possa ser utilizado por pessoas com diferentes limitações e dispositivos.

Mas um site somente é usável se atende às expectativas do que o usuário necessita; não deixa dúvidas sobre como deve prosseguir na realização das tarefas; não o faz parar e pensar sobre a interface, com se tivesse que decifrá-la; oferece informações claras e concisas, provê boa comunicabilidade e feedback sobre as ações realizadas; e, se o usuário recorre à ajuda, deve obter respostas objetivas.

Então, basicamente: deve ser de facilmente aprendida e memorizada e orientar o usuário na realização de tarefas.

O tema é amplo e poderia detalhar cada um destes tópicos, mas acredito que estes conceitos expostos já são suficientes para fazer refletir.

A lição que podemos tirar é de que: um site pode ter elementos acessíveis a deficientes visuais, mas possuir uma interface difícil de ser utilizada, que não mostra claramente o que o usuário deve fazer e como fazer, seja ele portador de deficiência ou não. Entretanto, uma interface pode ser de fácil utilização mas não ser acessível a usuário que utilizam um dispositivo ou browser diferente (como o Lynx).

Artigo original: Webdesign Experience - Nem todo site acessível é usável...

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Sobre o Autor:

Talita Pagani, 20 anos, iniciou seus estudos na área de internet em 2001 e trabalha há 3 anos com designer de interfaces. Atualmente, cursa Ciência da Computação na USC, em Bauru/SP, e trabalha em uma empresa norte-americana de desenvolvimento web. Além disso, mantém um blog pessoal onde compartilha experiências adquiridas no desenvolvimento de websites.

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