
No podcast PodCrer, edição 11, o Michel Lent, o Vicente Tardin (diz-se tardêin ou algo próximo disso) e o Vladimir Campos discutem sobre fotografia digital no celular. Começam considerando a baixa resolução de celular como limitador do prazer de fotografar, mas em certo ponto, comentam de fotos bacanas que fizeram e como os limites estimulam a criatividade e ajudam a criar uma nova linguagem.
Não poderia discordar que limites estimulam, afinal, o projeto Fotos de Bolso ( *1 ) é justamente a busca por uma linguagem e uma forma de vencer as limitações das câmeras em telefones celulares, e, revendo a história da fotografia, a impressão que fica é que vivemos um momento histórico ainda mais importante do que quando George Eastman começou a vender suas máquinas portáteis, no século XIX.
Serviços como blogs, fotologs ou o Flickr contam com excelentes fotos digitais registradas por fotógrafos vão de profissionais maduros a adolescentes “amadores” - lado a lado. Algumas são feitas através de câmeras SLR digitais cada vez mais potentes; porém muitas são feitas por câmeras compactas (point and shoot) ou com celulares. E ao mesmo tempo que se tem fotos trabalhadas em programas de edição de imagem - que não sem propósito são chamados laboratórios digitais - pode-se encontrar fotos belíssimas sem manipulação alguma.
Se a história é mesmo feita de cotidiano, podemos dizer que no caso da foto digital no celular - um aparelho cada vez mais barato e comum no cotidiano - a possibilidade de cada um fazer a história coletiva é muito maior.
Pierre Lévy, no livro Inteligência Coletiva( *2 ), defende a busca por novas formas de comunicação e interação entre os indivíduos - partindo do princípio de distribuição em rede e através do ciberspaço - que constituiria um cenário multimidiático( *3 ) em que cada ser contribuiria com a criação de novos signos, novas linguagens, aumentando o saber coletivo e diminuindo a importância de “gurus” em diversos assuntos, pois todos seriam capazes de se expressar e compartilhar com o mundo, deixando de ser julgado ou filtrado por uma entidade superior (como uma organização, um crítico especializado , um “ser mais iluminado” ou “gabaritado”) e passando a ser julgado pelo coletivo.
Democracia em tempo real, como defendeu Lévy. Parece utópico, mas também bem interessante e possível.
‘bora nessa?
*1 = Projeto Fotos de Bolso acessível em www.flickr.com/photos/celsobessa/sets/72157594588184373/
*2 = Sobre o assunto Inteligência Coletiva, além das obras de Pierre Lévy, recomenda-se a leitura dos artigos escritos por Carlos Nepumuceno no website www.webinsider.com.br
*3 = Considerações semelhantes podem ser aplicadas a outras formas de expressão e comunicação, como visto em Considerações para o futuro da televisão: interação e a inteligência coletiva ( www.cybertv.blog.br/consideracoes-para-o-futuro-da-televisao-interacao-e-a-inteligencia-coletiva/)
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Texto originalmente publicado em http://celsobessa.wordpress.com/2007/05/22/fotos-digitais-no-celular-de-bolso-pierre-levy-e-democracia/
Celso Bessa é paulistano, nascido em 1977. Designer no departamento de marketing da BRQ Informática e consultor em comunicação e design pelo núcleo A Panela Multimídia. Compulsivo por música e leitura, também adora cinema, jogos, arte e comunicação em geral. É nerd rebelado, geek retrô, germanófilo e entusiasta dos dois lados da força.
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