Gary Oldman no papel de Churchill

Winston Churchill e a Segunda Guerra Mundial de volta nas telas

Winston Churchill a Segunda Guerra Mundial são temas recorrentes de documentários de filmes. A exibição recente de O Destino de Uma Nação levou muita gente aos cinemas. A guerra deixou lições para serem aprendidas e o seu estudo nunca será demasiado para que aspectos ainda obscuros possam ser desvendados.

 

Eu fui ver o filme “O Destino de Uma Nação” (em inglês, “Darkest Hour”), em uma sessão de uma hora da tarde, e fiquei surpreso de ver a sala do cinema cheia. Não somente de pessoas de idade, mas de muitos jovens também.

Não imaginava que o assunto ainda despertasse tamanho interesse. O filme havia sido badalado na mídia e esta bem que podia ser uma forte razão para aquela sessão estar tão cheia. Durante a sessão eu ouvi vozes de pessoas atrás de mim narrando a História, pessoas que já sabiam o desenrolar dos acontecimentos da época.

Esta mesma História nos conta, por outras fontes, que Churchill não era unanimidade entre os britânicos, principalmente ao nível da estrutura de governo. Belicista por natureza, ele ironicamente estava com a razão em não confiar nas promessas dos nazistas, e foi por este motivo que ele se recusou a aceitar ou endossar qualquer tipo de armistício.

Uma das cenas do filme que me deixaram surpreso foi Churchill tomar um trem do metrô (lá o sistema de transporte se chama de Underground), conversar com o povo, antes de decidir se iria à guerra ou não. Para mim, esta cena é totalmente inverossímil, só mesmo nas cabeças dos cineastas. Mas, enfim…

A verdade é que a postura do primeiro ministro ganhou força depois da evacuação às pressas do que sobrou das tropas britânicas, francesas e belgas das praias de Dunkirk. Os soldados ficaram encurralados contra o mar. O desfecho poderia ser inevitável, mas Hitler decidiu parar o avanço das tropas alemães, fato que deu tempo ao tempo para uma possível evacuação. Mas nem assim houve solução para a retirada. A marinha inglesa convocou todos os donos de pequenos barcos, e foi assim que a evacuação de Dunkirk teve início.

 

 

A evacuação foi tópico preponderante da mega produção com o mesmo nome, dirigido por Christopher Nolan. Dunkirk, o filme, mostra sequências da evacuação sem o heroísmo tipicamente hollywwodiano, e nas cenas finais mostra um soldado resgatado lendo o famoso discurso de Churchill convocando o povo para defender a ilha.

O discurso é também o ponto central e subliminarmente heroico de “O Destino de uma Nação”, mas em contraste direto com o filme de Nolan, onde nas últimas cenas fica no ar uma ponta de indignação contra o discurso de Churchill.

É óbvio que é muito mais fácil lutar com o sangue e o sacrifício alheio e sem participar diretamente da luta. Uma das (poucas) cenas memoráveis de um dos curtas dos Três Patetas, Moe diz aos outros “lutarei até a última gota do Seu sangue”. E de fato foi o que Churchill fez, sequer convenceu os nazistas de que isso seria possível, como de fato não foi. Se não houvesse a entrada norte-americana na guerra em 1942, estaria tudo perdido.

 

 

A evacuação de Dunkirk foi decisiva para o desenrolar do resto da segunda guerra mundial e claramente um dos vários erros históricos de Hitler e do grupo nazista que o cercava, em decisões ditatoriais.

 

 

No tempo em que eu morei na Grã-Bretanha todo ano se fazia uma comemoração da retirada dos soldados de Dunkirk. Muitos na época consideravam um milagre. De fato, foram evacuados cerca de 338 mil dos 400 mil soldados encurralados contra o mar.

Quanto a Winston Churchill, ele continuou prevalecendo como figura polêmica da administração do Império Britânico, mas a história o consagraria como aquele que se opôs à dominação nazista na Europa. Na vida real Churchill era um ferrenho anticomunista, e ao final da guerra foi deixado de lado pelos aliados nas decisões que afetariam a Europa como um todo.

Uma interpretação um tanto ou quando estranha da figura de Winston Churchill foi encenada pelo ator americano John Lithgow, no seriado The Crown. O que é que motivou a produção a chamar Lithgow a fazer o papel eu não sei. O ator é alto demais, fica o tempo todo curvado, e o sotaque um pouco forçado. No entanto, a sua interpretação não é das piores, e não se opõe ao objetivo principal da série, que é esmiuçar os altos e baixos da Coroa.

Vale sempre a pena revisitar os meandros da Segunda Guerra Mundial e as suas implicações na evolução social e política da Europa. A maioria dos episódios dos anos de guerra é bem documentada, embora existam evidências da existência de uma farta documentação ainda mantida sobre sigilo.

Alguns princípios industriais e de comércio preconizados por Hitler ficaram e estão aí até hoje. As estratégias polêmicas dos pensamentos de Joseph Goebbels deram as bases da propaganda moderna, usada na mídia. A presença nazista exacerbou o anticomunismo, que acabou descambando para a guerra fria, durando até 1989, quando o muro de Berlin caiu.

A segunda guerra deixou lições para serem aprendidas. O seu estudo e análises nunca serão demasiadas para que aspectos ainda obscuros possam ser desvendados, e se for possível levar à construção de uma sociedade mais justa.

 

Paulo Roberto Elias é professor e pesquisador em ciências da saúde, Mestre em Ciência (M.Sc.) pelo Departamento de Bioquímica, do Instituto de Química da UFRJ, e Ph.D. em Bioquímica, pela Cardiff University, no Reino Unido.

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