Quero abrir um site mas tenho medo

Quero abrir um site mas não sei se devo

Eu tenho um projeto para abrir um site que faz todo o sentido, mas não sei o tamanho da encrenca. Será que vou aguentar o tranco?

 

Uma amiga querida está considerando abrir uma publicação nova – “uma revista”, como ela prefere dizer. Seria uma publicação de nicho, mas de interesse internacional. Seria administrada por ela, mais um grupo de colaboradores próximos e outro grupo de colaboradores menos assíduos.

Seria um site ou blog, constituído de conteúdo colaborativo, mas depende de alguma receita ou financiamento para seguir adiante. Tem muito potencial, mas no momento é apenas uma ideia e um desejo de algumas poucas pessoas.

Bem, só este briefing já levanta mil perguntas. Baseado na minha experiência com o Webinsider, fundado em 2000 e ativo até hoje, ela procura algumas respostas. E fez algumas perguntas, especificamente sobre o Webinsider, cujo projeto teria algumas semelhanças com o dela:

– Você tinha uma média de atualizações por semana?

– Nos bons tempos eram três ou quatro atualizações por dia, com o tempo (bastante tempo), passou a ser um texto por dia. Estamos falando de um artigo, não de notícias. Textos que não perdem a validade rapidamente, conteúdo ever green como dizem. Penso que para um blog este ritmo é suficiente, mantida a regularidade.

E quantos contribuíam para garantir essa média?

– Quantos contribuíam? Agora entramos numa questão controversa. Tenho a opinião de que não importa o número de colaboradores, é sempre preciso ter um editor, aquele que vai revisar tudo, ajustar os textos quando preciso, escolher imagens, tratar das questões de SEO etc etc.

É uma atividade fundamental para a percepção de qualidade de um projeto editorial (para humanos e buscadores) e não se pode esperar isso de um colaborador. Portanto, ter um editor dedicado (que será você ou outra pessoa apetrechada) no meu entender é até mais importante do que ter muitos colaboradores. Se um dia não tiver o que publicar, o editor se vira e escreve um texto a partir de um assunto do momento.

– A revista era uma empresa em si? Precisa ser, para receber eventuais patrocínios ou outro motivo?

– Sim, é preciso emitir nota para receber patrocínios e pagamentos por anúncios e serviços. Se tiver dinheiro envolvido, alguém deverá recebê-lo oficialmente em troca de serviços prestados. Em pagamento internacionais use o PayPal. Em um primeiro momento você pode começar sem empresa, depois pode começar sendo um microempreendedor individual para poder emitir nota. Mas se a publicação for um sucesso e quiser receber valores mais altos vai precisar emitir nota fiscal.

– Havia algum tipo de contrato com os colaboradores fixos?

– Havia contratos verbais tipo: você faz isso e eu te pago tanto por isso. Estes valores não eram altos e eram pagos sem nota.

– Que ferramentas de marketing você usava para monitorar os acessos, estatísticas, perfil dos usuários etc.?

– Google Analytics é o básico. Outras ferramentas do Google ajudam, há muitas ferramentas boas para monitoramento. No início use o Analytics e o Google Search Console, se conseguir. Plugins do WordPress também ajudam a ver os posts e páginas mais clicados. Mas no início foque na qualidade do projeto editorial e na divulgação dele entre os interessados.

– A viabilização se dava exclusivamente por comercialização de banners? Ou há outras fontes de receita?

– Projetos de conteúdo baseados em publicidade não têm muita rentabilidade. Patrocínio no seu caso pode ser um caminho, mas só acontece quando se tem um projeto já maduro e encorpado. Às vezes aparecem pedidos de publicação de posts patrocinados, o que pode ser feito se você deixar claro que é um post pago e que ele não entre em conflito com a publicação.

– Alguns colaboradores vão escrever em inglês e espanhol? E agora?

– Vixe, pergunta difícil. No seu caso eu publicaria do jeito que viesse, pois não vale a pena traduzir. Seu público é internacional e está acostumado a ler em inglês e espanhol. Deixe assim e observe. Desejo sucesso!

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Se você também tem questões parecidas e quiser conversar, conte conosco.


 

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O outro lado do avesso

Vicente Tardin é editor, jornalista, gestor de conteúdo e consultor para projetos online. Foi o criador dos sites WebWorld (1997) e Webinsider (2000).

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